quarta-feira, 30 de março de 2011

Relatório de Reunião da Executiva Estadual do dia 12 de fevereiro de 2011

Data: 12 fevereiro de 2011
Hora: 15h
Local: Local: Sala Professor Durval Cruz Prazeres. Sousa Center, sala 203. Av. Gomes de Sousa, nº 490 - Centro, próximo à Reffsa.
Presentes:
PRESIDENTE: Rogério Costa
VICE-PRESIDENTE: Saturnino Moreira
SECRETÁRIA GERAL: Valdeny Barros
SEC. DE COMUNICAÇÃO: Junior Rezzo
SEC. DE FINANÇAS: Maria do Perpétuo Socorro Silva Pereira
SEC. DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA: Maria Dolores Silva
SEC. ASSUNTOS MUNICIPAIS: Joseilton Melonio Costa
SEC. DE JUVENTUDE: Heliomar Barreto
 Ausentes:
SEC. DE MOVIMENTOS SOCIAIS: Denise Albuquerque
SEC. DE FORMAÇÃO POLÍTICA: Paulo Rios - Justificada
SEC. DE DIREITOS HUMANOS: Carlos Leen - justificada

Pauta e Respectivas Discussões e Deliberações

Pauta:
-Informes
Dolores informa sobre iminência de greve da categoria dos professores estaduais; Saturnino informa sobre greve na construção civil e nas mobilizações na UEMA e a necessidade do PSOL agir na agenda política;
-Leitura, apreciação e parecer da ata da reunião de 15/01/2011;
Valdeny informa não ter concluído a ata, impossibilitando a leitura; compromete-se a enviar até o final do dia 14/02;
-Situação financeira do partido e procedimentos administrativos;
Debatem-se as dificuldades para abrir a conta partidária e sobre o aluguel da sede do partido; conclui-se que, pela ausência da ata, e deliberação do dia 15/01, fica prejudicada a data do dia 15 de janeiro, assim como o dia 15 de fevereiro, como data limite do envio das cotas estaduais da contribuição dos filiados; Valdeny assume o compromisso de ir à Caixa Econômica Federal verificar as condições para abrir as conta do partido;
Deliberação:
A Executiva resolve:
1 – Que enquanto não se consegue abrir a conta partidária, abre-se uma conta pessoal, conjunta, com os dirigentes Heliomar e Joseilton, para receber os repasses;
2 - Que o aluguel e os custos de manutenção da sede do partido serão rateados com a Direção municipal de São Luis, no percentual de 50% para cada instância, assim como mudada a titularidade do aluguel para a direção do partido no município de São Luis.
3 – Que fica definido, extraordinariamente em fevereiro, o dia 26, como data limite para o repasse das cotas estaduais da arrecadação das contribuições dos filiados.

-Prorrogação dos mandatos das direções municipais;
Codó informa nova data: 19/02 e não houve entre os presentes quem pudesse acompanhar a atividade de Codó; que Imperatriz não fez no dia 05 e deverá remarcar a nova data, visto que não houve deliberação da instancia estadual  sobre a renovação da direção de imperatriz;
-Pauta política em nível estadual;
Saturnino reafirma a necessidade do PSOL agir na agenda política, como na greve na construção civil e nas mobilizações na UEMA; Dolores diz  que a CONLUTAS esteve acompanhando e apoiando a greve na construção civil, a despeito dos dirigentes sindicais daquela categoria não serem de confiança; Rezzo fala da necessidade de mostramos a cara, sem o medo do aparelhamento; Valdeny diz que concorda com a nossa presença e fala da legitimidade dos militantes engajados para falarem em nome do partido, principalmente depois do partido ter pautado o assunto; Joseilton lembra da nota em solidariedade a nossos militantes de Açailandia nas ameaças após o lançamento do atlas do trabalho escravo, fala da situação no Egito,  do déficit de vagas para educação básica em São Luis, do problema da segurança pública; Rogério fala da contradição dos militantes, que acham que só o Presidente pode representar o partido, como se estes não tivessem a responsabilidade de representá-lo;
Deliberação:
A Executiva resolve remeter para a reunião do Diretório, dia 26/02, a aprovação da pauta política do partido para do ano de 2011, devendo os filiados se manifestarem, enviando proposta e textos, para subsidiar a discussão até o dia 24/02.
Deliberação:
A Executiva decide subscrever a nota abaixo e enviá-la à instancia nacional e parlamentares do partido:
Moção de apoio aos companheiros do CDVDHA que sofrem ameaça de morte no Maranhão
A última Lista Suja do Trabalho Escravo, publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, divulgada no dia 5 de janeiro deste ano, coloca o Maranhão como o estado com o segundo maior índice de número de empregados submetidos a trabalho análogo à condição de escravo, e o campeão em exportação de trabalhadores resgatados em outras unidades da federação, principalmente no estado vizinho Pará.
Frente a essa situação de extrema violação dos direitos humanos o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e da Vida de Açailândia - CDVDHA tem travado um luta constante e denunciado o trabalho escravo na região, que destrói a vida de milhares de trabalhadores rurais no Maranhão.
A atuação corajosa e determinada dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como dos  militantes em denunciar os seus algozes, deu ao CDVDHA reconhecimento nacional, mas também auferiu inimigos poderosos como fazendeiros e políticos alinhados ao coronelismo escravocrata, os quais têm ameaçado sistematicamente de morte ativistas do CDVDHA.
Frente as nefastas ameaças aos companheiros militantes do Centro de Defesa dos Diretos Humanos e da Vida de Açailândia, as diversas entidades abaixo relacionadas vêm expressar publicamente solidariedade aos companheiros defensores dos direitos humanos, dentre eles os advogados do CDVDH Antonio Filho e   Nonato Masson e o membro do setor de comunicação do MST Reynaldo Costa, organizadores do Atlas do Trabalho Escravo no Maranhão.
Assim, na tentativa de expressar nosso posicionamento destacamos a partir desta moção que:
§     Repudiamos qualquer tentativa por parte do Governo do Maranhão em escamotear esta situação, quer seja pelo fato de estarem envolvidos políticos e magistrados ligados às esferas de poder político e econômico, quer seja pela falta de estrutura adequada para averiguar e dar proteção aos trabalhadores e defensores dos direitos humanos.
§       Repudiamos as propriedades que estão ilegalmente dentro da Reserva do Gurupi, que comentem duplo crime ao permanecerem em uma área de preservação ambiental e ainda manter trabalhadores (as) em situação degradante e às vezes ceifando suas vidas de forma hedionda.
§       Apoiamos integralmente os companheiros do CDVDH que vêm sendo ameaçados de morte, bem como todos os trabalhadores (as) que têm denunciado e corajosamente resistido ao poder da violência no Maranhão.
Assina:
Executiva Estadual do PSOL/MA

-Outros assuntos oportunos.
Rogério informa que há pendências nos dados dos componentes da chapa 1 e que deve se enviar as informações para completar o registro do partido; Socorro informa que é Juvenal o suplente de Carlos Leen na Executiva e não Nonato Penha;

Relatório da Reunião da Executiva Estadual de 15 de janeiro de 2011

Relatório da Reunião da Executiva Estadual
Data: 15 janeiros de 2011
Hora: 15h
Local: Local: Sala Professor Durval Cruz Prazeres. Sousa Center, sala 203. Av. Gomes de Sousa, nº 490 - Centro, próximo à Reffsa.
Presentes:
PRESIDENTE: Rogério Costa
VICE-PRESIDENTE: Saturnino Moreira
SECRETÁRIA GERAL: Valdeny Barros
SEC. DE COMUNICAÇÃO: Junior Rezzo
SEC. DE MOVIMENTOS SOCIAIS: Denise Albuquerque
SEC. DE FINANÇAS: Maria do Perpétuo Socorro Silva Pereira
SEC. DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA: Maria Dolores Silva
SEC. ASSUNTOS MUNICIPAIS: Joseilton Melonio Costa
SEC. DE JUVENTUDE: Heliomar Barreto
SUPLENTE: Cláudio Lopes – Ausência comunicada de Paulo Rios

Ausentes:
SEC. DE FORMAÇÃO POLÍTICA: Paulo Rios - Justificada
SEC. DE DIREITOS HUMANOS: Carlos Leen

Pauta
-Informes

-Finanças do partido
Neste ponto foi informado sobre as dificuldades para a abertura da conta partidária, dada as exigências bancárias; foi debatido a Resolução do dia 04/12/2010 sobre finanças e a necessidade de sua adequação; foi informado sobre a arrecadação e pagamento do aluguel da sala onde funciona o Partido; foi proposta uma resolução, aprovada pelos presentes, com o voto contrário de Maria Socorro, Secretaria de Finanças.
Deliberações sobre Finanças:
A Executiva Estadual do PSOL/MA
Considerando a necessidade de detalhar e regulamentar a Resolução do dia 04.12.10 (Estabelecer o dia 15 de janeiro de 2011 como prazo para que os militantes façam o repasse das suas obrigações financeiras com o partido, como rege o estatuto do PSOL. O valor de repasse deve ser equivalente a 1% da remuneração mensal líquida de cada filiado e, no caso de filiado sem emprego, a contribuição é de R$ 5,00 (cinco reais);
Considerando o que diz o artigo 11, alínea d), do Estatuto do PSOL sobre os deveres dos filiados: “contribuir financeiramente para o Partido, observando-se os critérios estabelecidos pelo presente Estatuto;”
Considerando o que diz o artigo 57, §2, do Estatuto do PSOL sobre o que compete aos Diretórios Municipais: “§2º - Deve o Diretório Municipal definir planos políticos e organizativos no âmbito do município, de filiações, finanças, intervenção política e nos movimentos sociais, abertura de sedes e planos de formação política”;
Considerando o que dizem os artigo 79, 80 e 81 do Estatuto do PSOL, que trata da contribuição dos filiados: Art. 79 - Os recursos oriundos da contribuição dos filiados serão repartidos da seguinte forma:I – 20% para a direção nacional;II – 30% para a direção estadual;III – 50% para a direção municipal.Parágrafo  único – Caso não esteja constituída direção municipal, os recursos correspondentes serão destinados a direção imediatamente superior.Art. 80 - A contribuição financeira dos filiados detentores de mandatos eletivos serão destinadas a instância correspondente a esfera político-administrativa correspondente. Art. 81 - Somente participam dos Encontros, em qualquer nível, os delegados que estiverem em dia com sua respectiva contribuição financeira, de acordo com as normas deste Estatuto. Parágrafo único: Nos encontros estaduais e nacional somente serão credenciados os delegados dos municípios ou estados cujas instâncias correspondentes estejam em dia com suas contribuições junto às instâncias superiores.
RESOLVE:
1 - Reafirmar a aplicação da Resolução Estadual sobre finanças aprovada no dia 04.12.2010;
2 – Fixar o dia 15 de cada mês como data limite para repasse da cota pertencente ao Diretório Estadual do total arrecadado das contribuições dos filiados, válido a partir de janeiro de 2011;
3 – Considerar os filiados na situação de desemprego isentos das contribuições dos filiados, devendo os mesmos apresentarem os respectivos requerimento de isenção.
Executiva Estadual
São Luis, 15 de janeiro de 2010.

-Processo de prorrogação dos mandatos das direções municipais;
Foram informadas as seguintes plenárias:
19/01- São Luis/ma;
05/02 – Imperatriz;
12/02- Codó;
20/02 - Buriticupu

-Programação de atividades da Executiva;
Discutiu-se e houve informes sobre a agenda das atividades dos movimentos sociais, como o Fórum de monitoramento dos conflitos agrários, o lançamento do atlas do trabalho escravo em Açailandia;

-Outros assuntos oportunos
Não houve outros assuntos;

A reunião foi encerrada as 17 horas.

MEMBROS DA EXECUTIVA ESTADUAL DO PSOL

PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE-PSOL
DIRETÓRIO ESTADUAL DO MARANHÃO
Executiva Estadual
PRESIDENTE: Rogério Costa
VICE-PRESIDENTE: Saturnino Moreira
SECRETÁRIA GERAL: Valdeny Barros- (98)8849-2899
SEC. DE COMUNICAÇÃO: Junior Rezzo
SEC. DE FINANÇAS: Maria do Perpétuo Socorro Silva Pereira-(98)8726-4008
SEC. DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA: Maria Dolores Silva
SEC. ASSUNTOS MUNICIPAIS: Joseilton Melonio Costa
SEC. DE JUVENTUDE: Heliomar Barreto
SEC. DE MOVIMENTOS SOCIAIS: Denise Albuquerque - (98) 8804-2811
SEC. DE FORMAÇÃO POLÍTICA: Paulo Rios
SEC. DE DIREITOS HUMANOS: Carlos Leen

MEMBROS DO DIRETÓRIO DO PSOL

Aline Maria Dos Santos Pereira
Antonio Homete Vieira Da Silva
Carlos Leen Santiago Santos
Carlos Saturnino Moreira Filho
Carlos Roberto Goncalves Lopes
Cicero Nunes Da Silva
Claudemir Machado Lopes
Cleumir Pereira Leal
Clístenes Alyson De Souza Mendonça
Denise De Jesus Albuquerque
Heliomar Barreto Torres
Joseilton Melonio Costa
Jovenal Da Cruz Rabelo Pereira
Joivaldo Sousa Lopes
Jose De Ribamar Mendes Arouche
Jose De Ribamar Rezo Cardoso Junior
Jose Regivaldo Marques Dos Santos
Maria Do Perpétuo Socorro Silva Pereira
Maria Dolores Silva
Nonnato Masson Mendes Dos Santos
Paulo Roberto Rios Ribeiro
Paulo Rogério Costa De Oliveira
Raimundo Nonato Penha Soares
Reynaldo Da Silva Costa
Valdeny Barros

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PSOL foi único partido que votou contra a equiparação de salários do Congresso com o dos ministros do STF

Do sítio do Deputado Federal Ivan Valente:


http://www.ivanvalente.com.br/
16/12/2010 - 18:18

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados foi a única a se manifestar contrariamente ao reajuste que equipara os subsídios dos deputados, senadores, ministros, vice-presidente e presidente da República aos rendimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Aprovado nesta quarta-feira (15) na Câmara e posteriormente no Senado, o Projeto de Decreto Legislativo 3036/2010 fixou o subsídio mensal desses cargos em R$ 26.723,13, a partir de 1º de fevereiro de 2011. Atualmente, o valor é de cerca de R$ 16.000,00.

A bancada do PSOL apresentou uma proposta alternativa, propondo que o reajuste fosse feito de acordo com o índice de inflação do período, que foi derrotada pela imensa maioria dos deputados, que votou pelo aumento de 62% nos próprios salários.
“A proposta aprovada eleva o subsídio dos Parlamentares ao teto do funcionalismo. Isso causa imenso impacto nas contas públicas e a incompreensão da população. Enquanto ficamos discutindo se o salário mínimo será R$ 540, R$ 560 ou R$ 580 reais, e todos dizem que não há recursos para isso, o Congresso aprova uma aumento de 62% para deputados, senadores, presidente, vice e ministros”, criticou Ivan Valente.
“É demasia e exagero, algo insustentável do ponto de vista social e político”, afirmou Chico Alencar. “Durante a campanha eleitoral recente, milhares de candidatos e partidos jamais apresentaram essa pretensão que, pelo efeito cascata e pela amplitude, afeta as contas públicas e diz respeito àqueles que representamos. Essa decisão desastrada, exagerada e insustentável aprofunda o abismo e o fosso entre o Parlamento e a sociedade. É, de certa maneira, advocacia em causa própria, o que é sempre questionável”, acrescentou.
O deputado Ivan Valente chamou a atenção ainda para outro problema vinculado ao debate sobre os rendimentos dos deputados: o financiamento privado de campanha. “Todos se indignam com o aumento aprovado nesta quarta no Congresso, o que está correto. Mas é preciso que a sociedade proteste também contra o financiamento privado das campanhas, que injetam bilhões nas contas dos deputados e que certamente abrem as portas para a corrupção. Não há empresa que doe tanto e depois não cobre a fatura na hora da votação de projetos que lhe interessam. Então a sociedade deve sim protestar contra este aumento abusivo, mas também se mobilizar pela aprovação do financiamento público e exclusivo de campanha”, concluiu Ivan Valente.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

II MARCHA DO POVO CONTRA A CORRUPÇÃO E PELA VIDA


ATO DE DESAGRAVO AOS MOVIMENTOS E LIDERANÇAS SOCIAIS
LANÇAMENTO DO OBSERVATÓRIO DA JUSTIÇA DE CIDADANIA
DATA: 09 DE DEZEMBRO DE 2.010
COMISSÃO ORGANIZADORA: CÁRITAS, CPT, COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ, ASP, REDES E FÓRUNS, RIPP, REAGE SÃO LUÍS



PROGRAMAÇÃO

07:30 – Encontro das Caravanas no retorno do Tirirical – São Luís/Ma
08:00 – Ato de Abertura da II Marcha do Povo contra a Corrupção e pela Vida
09:00 – Início da II Marcha do Parque Folclórico da Vila Palmeira/São Luís
12:00 – Previsão de Chegada na Procuradoria-Geral da Justiça/Canto da Fabril
- cobrar andamento de representação contra prefeitos protocolada na I Marcha
- entrega de representação caso exemplar de corrupção:  prefeito de Anajatuba
13:00 – Almoço/Praça Deodoro
14:00 – Procuradoria-Geral da República/Rua das Hortas
- entrega de representação caso exemplar de corrupção: prefeito de Anajatuba
15:00 – Abertura Ato de Desagravo
- Mística e Canto de Luta
- Constituição da Mesa de Trabalho: Cáritas, OAB, CPT, MST, ASP, CIMI, FMSAN, CESAN, Redes e Fóruns de Cidadania, CTB, SINPROESEMMA
- Apresentação dos Casos: entidades/lideranças que sofreram violação de DHumanos
- Casos: Flaviano (Charco), Perseguidos e processados (Santa Luzia), Demissão Ilegal Funcionários Públicos (Lago dos Rodrigues), Agentes e Comunitários CPT/Balsas, Despejo Comunidade Quilombola de Cruzeiro (Palmeirândia), Prisões Ilegais (Dom Pedro)
17:00 – Lançamento do Observatório da Justiça e Cidadania
- Leitura da Carta de Princípios e Objetivos
- Assinatura pelas entidades da Carta de Adesão
18:30 – Encerramento: Hino Nacional
19:00 – retorno das delegações


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CARTA – DENÚNCIA À SOCIDADE BRASILEIRA

CARTA – DENÚNCIA À SOCIDADE BRASILEIRA[1]

Quilombo Cruzeiro/Palmeirândia (MA), 01 de dezembro de 2010


O QUE SIGNIFICA UMA LINHA DE MANDIOCA?
Significa uma produção 25 a 30 paneiros de farinha. Significa o trabalho de 10 meses a um ano, desempenhado por mais de 15 trabalhadores, numa jornada de trabalho de mais de 12 horas diárias.
Significa alimento para 900 pessoas por um dia, se cada uma comer um quilo de farinha.
Mas, além de comer a farinha, ela pode ser transformada em carne, açúcar, café, roupa, remédio e até educação para os filhos e filhas de dezenas de famílias de quilombolas. Então será que dá para saber o que significa uma linha de mandioca para um trabalhador quilombola?

Bom e então, quanto será que custa um quilo de farinha na mesa de um latifundiário? E de um policial? De um promotor? E na mesa de um juiz quanto será que custa?
Custam 46 linhas de roça destruídas com fogo. Custam as vidas de centenas de famílias postas em risco pela falta de alimento, pelos mandos e desmandos daqueles que não sabem o que é ter fome.
Custa também o sangue inocente de dezenas de camponeses, quilombolas, indígenas assassinados neste Maranhão, que se sustenta na arbitrariedade dos atos de seus representantes e, no completo descaso para com a vida destes trabalhadores que com seu sangue sustentam impérios neste de chão de exploração.
Custa ainda o desespero de mulheres, que já não conseguem dormir por não saber onde vão plantar para alimentar seus filhos dignamente, com o trabalho honesto de seu braço de trabalhadora rural. Ela que enfrenta o sol, ele que enfrenta a chuva e os dois que enfrentam juntos outras tempestades como aquelas provocadas por decisões de quem se acha dono da verdade. Juízes, latifundiários, grileiros. Eles que não sabem o que é ter fome.
Custa a peregrinação de enorme quantidade de famílias quilombolas expulsas do seu chão, rumo à cidade grande, para sofrer e ver seus filhos, suas filhas entregues ao terror das grandes cidades.
Custa uma sentença de morte a seus jovens que são vitimados por drogas, pela polícia como se vê no rio de Janeiro, em São Luís. A morte nas penitenciárias ou na rua. É isto o quanto custa um quilo de farinha na mesa do latifúndio, de policiais, de promotores e de juízes. Na mesa de governadores, prefeitos, e todos os seus comparsas.
Custa a morte de comunidades inteiras que são obrigadas a largarem seu modo de vida, comunitário, de respeito a cada ser vivo, aos seus semelhantes e à TERRA. Significa um etnocídio, uma morte qualificada pelo grupo e modo de viver deste grupo. Os sentenciados são: Quilombolas, ribeirinhos, índios, posseiros. 
Sabem por que este é o preço do quilo de farinha na mesa destes senhores? Porque é com o trabalho suado de mulheres e homens neste país, inclusive dos quilombolas, que são pagos a estes senhores, ricos salários. Ou, que são sustentados os ricos negócios de alguns destes senhores.

E na mesa do quilombola, da quilombola, será quanto custa um quilo de farinha?
Na mesa do quilombola custa sua própria vida, senhores todos poderosos. Sim, na mesa do quilombola um quilo de farinha custa sua própria vida.


QUEM SOMOS NÓS

Então senhor juiz, discutir teses acadêmicas não pode, então vamos discutir sobre trabalho.
Os senhores costumam dizer que somos preguiçosos, que não gostamos de trabalhar. Mas senhor, todos os dias nós acordamos 5:30 da manhã e às 7;00 já estamos na roça e de lá saímos 6 horas da tarde ou mais tarde ainda, porque trabalhamos enquanto se puder ver o sol.
E vossa excelência, quantos dias trabalha? Segunda não está, quinta depois do meio dia não está. Quando é que o senhor está no seu posto de trabalho senhor? E, para completar quando o senhor está ainda não pode discutir teses acadêmicas! Qual é mesmo o seu trabalho senhor?
Senhor juiz, nós trabalhamos quase 12 horas por dia. E o senhor, quantas horas mesmo o senhor trabalha?  Nós recebemos por salário, nossas roças devoradas no fogo, e o senhor Excelência, qual o tamanho do seu salário?
Vossas senhorias nas suas reuniões de final de semana, nas casas de vossos amigos, que depois trazem suas causas para serem julgadas por vossas excelências, vocês falam que somos parasitas do Estado, que recebemos bolsas isso, bolsa aquilo. É recebemos mesmo e sabe por que senhor juiz, porque vossas excelências trabalham pouco e ganham muito e ainda como resultado do seu trabalho nos vemos obrigados e ficar sem trabalhar. Somos nós os parasitas, senhor?  Como, se trabalhamos todos os dias quase 12 horas? 
Então senhor, deite sua cabeça no travesseiro e pense na situação de cada trabalhador rural quilombola que tem suas vidas controladas por suas decisões.



[1]  Carta-Denúncia dirigida a toda a sociedade brasileira acerca  da violência sofrida pelo quilombolas do quilombo Cruzeiro, município de Palmeirândia,  que, em pouco mais de 01 ano, já sofreu três despejos judiciais. No último,  executado no dia 22 de novembro, foram incendiadas mais de 40 linhas de roças. O juiz Sidney Cardoso Ramos, titular da comarca de São Bento, atua como se fosse advogado da pretensa proprietária Noele de Jesus Barros Gomes.